Não sou supersticioso, mas há alturas em que desconfio que o número 53 tem qualquer coisa de negativo. Com um intervalo de dois dias, o cancro levou mais dois homens de 53 anos: o ator João Ricardo e o jornalista Pedro Rolo Duarte. Há poucas semanas tinha morrido uma atriz brasileira (Sai de baixo) com a mesma doença e também com 53 anos. Se alargarmos a pesquisa a outras doenças, vamos encontrar muitas figuras públicas que "apagaram o maçarico" aos 53 anos, como o George Michael. Isto porque as figuras não públicas não constam das pesquisas do Google.
Mas o meu ceticismo em relação à superstição acentua-se e a ideia de que todos estes casos não passam de meras coincidências, ganha força quando penso nos meus 53 anos, "comemorados" no hospital, dias depois do relatório da patologia ter confirmado o resultado do exame extemporâneo (exames feitos durante a cirurgia): o tumor no pulmão era maligno. Pequenino (2 cm), localizado (sem metástases), mas maligno.
Os deuses, em quem também não acredito e aquele médico (em quem deixei de acreditar porque me deixava a secar tardes inteiras na sala de espera eheheh) que, do nada, resolveu mandar-me fazer exames só porque sim, ou porque tinha entrado na faixa dos 50, onde os problemas graves começam a surgir, estiveram comigo naquele dia. Mais uns meses e talvez hoje eu próprio fizesse parte da estatística como mais um que tinha "esticado o pernil" aos 53 anos, porque o tempo é fundamental na cura de alguns cancros e o meu foi descoberto numa fase ainda operável.
Coincidências, meras coincidências... afinal, visto à distância de 12 anos, posso considerar-me um tipo cheio de sorte. Sobrevivi para contar como foi, ganhei direito a exames anuais gratuitos, se tivesse paciência para aturar a médica de família (lol), tinha consultas de borla, não pago IRS, estou isento do IUC (selo do carro), fiquei com mais espaço para o meu fígado gordo se expandir e consumo menos oxigénio, o que é muito bom para o ambiente.
Contras? Talvez o facto de a doença nunca me sair da cabeça e me condicionar um pouco qualquer projeto para o futuro. Esta última parte torna-se mais importante na medida em que pretendo viver até aos 500 anos e deve ser deprimente viver os 435 que me faltam, sempre a pensar na mesma coisa. eheheh
