Acabei de fazer uma peixeirada num Centro Comercial aqui da zona, com uma daquelas senhoras que andam a vender bonequinhos para ajudar as crianças.
Não há muito tempo que o "Sexta às Nove", da RTP1, passou uma reportagem que desmascarava este tipo de negócio.
Segundo foi apurado, só cerca de 2% do dinheiro vai mesmo para ajudar crianças. Os restantes 98% são para pagar o boneco, para pagar ordenados miseráveis aos vendedores que nem sabem muito bem quem os contrata e desconhecem, ou fingem desconhecer, a fraude. O que sobra, que é a maior fatia, vai diretamente para a conta bancária dos vigaristas que estão por detrás de empresas que não existem fisicamente e para as contas particulares dos diretores/gerentes/whatever das instituições, ditas de apoio às criancinhas, que também entram na jogada.
Por isso, quando a senhora me abordou, nem tentei esquivar-me. Disse-lhe que vejo e leio notícias e que o que ela estava ali a fazer, era a participar numa vigarice.
- Isso é uma vigarice nojenta e vocês, incluindo os funcionários que, em nome das crianças necessitadas, vêm para aqui vigarizar as pessoas, deviam estar todos presos.
Disse mais umas coisas desagradáveis, mas acabei por vir embora e deixei-a a falar sozinha, porque mesmo que eu procurasse um polícia, o mais certo era ele prender-me a mim por difamação e a outra ficava lá a vender bonecos.
Tenho outro assunto do género deste, sobre o qual ando há tempos para escrever, mas hoje fico por aqui, pois sei que textos muito longos acabam por ser lidos na diagonal e o que tenho para dizer, ia descambar num texto tipo peixe-espada (comprido e chato) que ninguém lia.